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Família Lemo: é melhor ser pequeno e forte

De origem humilde, essa família de empreendedores construiu um alicerce forte e inspirador no comércio e no campo.

A família Lemo, de Monte Azul Paulista, é formada por grandes empreendedores, que souberam, como poucos, explorar seu potencial, aproveitar as oportunidades e nunca desistir de seus sonhos.

De origem humilde, os patriarcas José Lemo e Tereza Peralta Lemo cresceram nas lavouras de café, nesse ambiente repleto de prosperidade, mas também de dificuldades. Durante a jornada, o casal foi para a cidade e se destacou no comércio. Mas, José nunca deixou sua essência: é pela roça que seu coração bate mais forte. Aliás, pelo campo e pela dona Tereza, com quem está casado há 66 anos.

Os dois se conheceram em 1954, na Igreja Matriz Bom Jesus: “Nós dois morávamos em fazendas. Eu não entrava na igreja, mas passei a frequentar para vê-la. Comecei a ir todos os domingos e ficava do lado de fora.  Ela não tinha irmãos, apenas uma irmã. Naquela época, os pais não deixavam seus filhos frequentarem muitos lugares, mas na igreja seu pai a deixava ir. Até que ela me laçou”, conta José, aos risos.

Tereza ficou encantada com o jeito gentil de José: “Gostei da personalidade dele, que é uma pessoa muito calma e tranquila. Foi amor à primeira vista, só namorei com ele e nos casamos na igreja que nos conhecemos”, recorda-se.

“Ela morava perto de Marcondésia e eu morava do outro lado da cidade.  Não nos encontrávamos muito porque naquela época, era muito difícil o transporte e para ir a pé era muito difícil”, detalha José.

O começo de um sonho

A distância não impediu que José e Tereza desistissem um do outro. Em 4 de setembro de 1956 o jovem casal uniu suas vidas. Desta união, nasceram seis filhos: Vanda, Silvio, Sergio, Valdemir, Sílvia e Samy.

Quem vê a felicidade estampada nos rostos experientes deste casal tão amoroso, não tem ideia das dificuldades que ambos enfrentaram no início da vida.

“Quando eu nasci, eles não tinham dinheiro para me buscar no hospital, tiveram que vender um saco de café para conseguir”, conta Vanda. “Ela dormia em cima de uma cadeira, que era como se fosse um berço.  Depois, passamos esse berço improvisado para o outro filho e compramos uma caminha para ela”, completa Tereza.

Com leveza e bom humor, a matriarca recorda-se de tempos difíceis: “Quando fiquei grávida não tínhamos dinheiro para quase nada. Lembro-me que tinha uma blusa cor de limão e uma saia azul marinho e conforme a barriga ia crescendo, eu ia adaptando essa roupa. O começo foi difícil, especialmente, com os três primeiros filhos. Criávamos galinha caipira e minha mãe secava as penas para fazer travesseiros e juntávamos os retalhos para fazer colcha”, relembra.

A sorte segue a coragem

Com coragem e determinação, o jovem casal seguiu enfrentando de cabeça erguida cada dificuldade ao longo do caminho: “Só ficamos um ano trabalhando na roça e não tivemos ajuda dos nossos pais quando nos casamos. Depois, começamos a trabalhar em um bar, na época chamado São Paulo, em sociedade com meu irmão e com o meu pai. Meu pai fez questão que eu fosse trabalhar com ele, mas só entrei na sociedade porque eles aceitaram que eu fosse pagando a minha parte”, conta José.

“Resumindo, não nos sobrava, quase nada”, completa Tereza.

O produtor conta que um amigo da família lhes concedeu empréstimo de 20 mil cruzeiros para a compra do bar. “Depois que pagamos o investimento, passou a sobrar dinheiro. Mas, decidimos vender, meu pai já não era tão jovem, então, vendemos o bar e alugamos um armazém, perto da delegacia.  A população gostava muito da gente e o movimento era muito bom. Mas, o dono do imóvel morreu e os herdeiros queriam aumentar o valor do aluguel. Meu pai ficou muito nervoso, mas como sempre, fui apaziguador, pedi calma, pois iríamos encontrar uma saída”.

Criando oportunidades

Para José, há males que vêm para o bem. Difícil é aceitar que algumas situações ruins podem se tornar boas oportunidades. E ela surgiu em forma de terreno: “Era um terreno de esquina, mas para adquiri-lo precisava contatar os proprietários que moravam em São Paulo. Lembro-me que embarquei no trem em direção à São Paulo, acompanhado do meu cunhado. Encontramos a casa do proprietário, mas no dia que viajamos eles tinham ido passear. E tivemos que voltar para Monte Azul”.

Passado o desencontro, José conseguiu encontrar a família proprietária: “Na época eram quatro herdeiros, mas uns queriam vender e outros não. Dinheiro já era difícil naquela época, mas tínhamos que investir naquele terreno e fiz uma proposta de 4 mil cruzeiros”.

Para fechar negócio, o produtor rural contatou o advogado da família: “Fui procurá-lo e contei sobre a minha proposta e fiz outra a ele. Se ele conseguisse me ajudar a fechar negócio, pagaria 10% do valor vendido. Ele aceitou prontamente. O advogado não tinha carro, veio de trem a Monte Azul e ficou hospedado na minha casa”, conta, aos risos.

Com uma memória invejável e riqueza de detalhes, José conta que, quando estava prestes a fechar o negócio, José Gomes, parente dos herdeiros, cobriu sua oferta: “Mas, o advogado foi firme e disse que o negócio era meu e eles venderam para nós. Quando compramos, o dono do armazém mudou de ideia sobre a alta no valor do aluguel e, enquanto construímos o nosso supermercado, trabalhávamos no armazém”.

“Foi um dos primeiros supermercados da cidade”, completa o filho Sérgio, com orgulho.

Em 10 anos dedicados ao comércio, José e seu irmão compraram dois sítios. “Um dos sítios tenho até hoje.  O outro colocamos à venda, porque meu irmão queria comprar uma casa para o meu sobrinho”.

Posteriormente, decidiram seguir caminhos diferentes: “Dividimos tudo e cada um ficou com um mercado. Neste meio tempo, comprei mais duas propriedades, vendi o supermercado, mas fiquei com o prédio e segui para a lavoura onde montamos uma granja e investimos na laranja”.

De volta às raízes

Depois de tantos anos investindo no comércio, José voltou a investir na terra: “Sou da roça, fiquei uns tempos no comércio e voltei para o campo. No primeiro momento, esse aqui – diz apontando para Sérgio – não quis ir comigo e ficou trabalhando com abelhas. Mas, com o tempo, todos os meus filhos investiram no campo e cada um tem sua propriedade”, conta José.

“Mesmo trabalhando no comércio, chegava o final de semana nós plantávamos as mudas de laranja. Todos os filhos trabalhavam. Até meu irmão que estudava Medicina trabalhava na lavoura, quando estava de férias. E, com muito trabalho e dedicação, fomos crescendo na citricultura”, recorda-se Sérgio.  

“Com a morte do meu marido, fui convidada a trabalhar com eles na parte administrativa e os meus irmãos foram se aposentando e voltando para o campo. Só falta o caçula se aposentar e espero que todos voltem e que possam ficar todos juntos”, revela Vanda.

A cumplicidade no olhar, o amor, o respeito e a gratidão entre pais e filhos são sentimentos que chegam a ser palpáveis. O jeito gentil e sereno de José é elogiado por todos à sua volta: “É uma delícia trabalhar com ele. E mesmo não concordando com algo, não te ofende com palavras e nem com gestos. Nós dois não temos diploma de escola, mas conseguimos vencer”, diz Tereza, com um olhar de ternura.

Com orgulho, ela enfatiza que todos os seus filhos são formados. “Vanda, Silvia e Samy são dentistas, Silvio é engenheiro, Valdemir é médico e Sérgio formou-se em Advocacia”, comenta Tereza, com orgulho.

“Eu fui o último a me formar, estudei mais velho, me formei em Advocacia, por incentivo dos meus irmãos. Na época, não tinha o curso em Bebedouro e fui estudar em Ribeirão Preto”, conta Silvio.

Uma trajetória de orgulho

Ao olhar para o passado, a primogênita Vanda fala com orgulho da história da vida dos pais e do esforço que ambos fizeram para oferecer uma vida com mais oportunidades aos seus filhos: “Quando eu estava entrando na faculdade, minha mãe foi fazer Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização) e lembro-me que quando era adolescente e trabalhava no caixa do supermercado, meu pai fazia conta de cabeça, sem calculadora e sem ser alfabetizado. Os dois não desistiram em nenhum momento”, enfatiza Vanda.

Os sonhos não têm prazo de validade e aprender não tem idade: “Quando fui fazer minha primeira venda, eu não sabia marcar o valor. Naquele tempo, vendíamos por caderneta, fiado. Era uma pinga para o Zeca Plaza e foi tão marcante que ainda me lembro do nome dele. A moça que trabalhava com os antigos donos ficou conosco por uma semana, me ensinou a escrever os números e fui aprendendo”.

De coração aberto e com muita tranquilidade, José conta que aprendeu com cada desafio: “Sou satisfeito com tudo que construímos. Não tínhamos estudos, mas aprendi, com a ajuda da minha família, a ter sucesso nos negócios. Uma vez recebi um conselho de um grande amigo. Ele me disse que já tinha visto grandes caírem e pequenos subirem. Isso ficou marcado e fiz tudo sem ter pressa. Para quem não tinha nada, conquistar o que conseguimos, é motivo de orgulho”.

“Um dos ensinamentos dele que me marcou muito foi que é melhor ser pequeno e forte do querer ser grande e investir em negócio arriscado. Primeiro é preciso ser fortalecer”, conta Vanda.

Uma geração de vencedores

O legado da família Lemo é inspirador. É fácil se emocionar com esse casal que faz questão de enfatizar o orgulho que sentem da sua trajetória e de seus seis filhos, 12 netos e oito bisnetos.

O semblante e o tom de voz de Tereza mudam ao falar dos netos: “Uma delas estuda em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, numa universidade pública. Tenho neto estudando Medicina, Odontologia, Agronomia e Biomedicina em boas universidades. Temos orgulho de ter uma família grande e é muito bom se reunir com todos eles, filhos, netos, genros e noras”, diz Tereza, que conta que sonha em ser tataravó.

Fiéis à Uniceres

A confiança é o alicerce do relacionamento da família Lemo com a Uniceres desde a sua fundação: “Fazemos parte da primeira geração de cooperados, participamos da Montecitrus e depois da Uniceres”, conta José.

A base desta relação foi construída com comprometimento e respeito: “Somos fiéis à Uniceres.  A cooperativa nos ajuda a manter o negócio, reduzindo custos e tornando o mercado mais competitivo. Além disso, todos os anos ela distribui os ganhos. A Uniceres é muito importante para a nossa história, ela nos transmite segurança e confiança. Acompanhamos as rodadas técnicas e meu filho, que é agrônomo, está participando. Vestimos a camisa da Uniceres”, enfatiza Silvio.

A história de vida da família Lemo é referência na Uniceres e são essas histórias que movem a cooperativa a manter seu compromisso para fomentar a agricultura e a confiança contribuindo para longevidade das famílias no trabalho no campo. A união fortalece a Uniceres e seus cooperados. Juntos, somos fortes para sonhar e alçar longos voos.

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