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Seguir em frente, sempre

Com inúmeros desafios pelo caminho, os irmãos Fachini jamais esqueceram os valores transmitidos pelos pais e persistiram em sua trajetória, seguindo em frente sem desviar o olhar.

O destino pode pregar peças, mas não consegue fazer-nos abandonar nosso propósito. Às vezes, a estrada parece interminável, e o horizonte se esconde diante de nossos olhos. No entanto, há algo dentro de nós que nos incita a prosseguir, como o sangue que pulsa no coração e percorre todo o corpo. E quando esse propósito está no sangue, não há como remar contra a maré ou plantar em outro campo. Assim foi construída e guiada a família Fachini, de Monte Azul Paulista, ao longo de gerações, cultivando o amor pela citricultura em sua jornada até aqui, e com muito mais estrada a percorrer.

Os irmãos Edson e Emerson guardam com carinho toda a trajetória percorrida por sua família, desde o tempo do avô, que já possuía uma plantação de café e alguns pés de laranja no final da década de 60, quando esse fruto começava a se destacar na citricultura, na região de Monte Azul. Emerson conta: “Ele tinha grande habilidade com os animais e estava engatinhando na citricultura, mais precisamente no cultivo de laranjas”.

Os irmãos Edson e Emerson são filhos de Edson David Fachini e Clara Zuleika Gil Sperli Fachini, que infelizmente faleceram em um acidente de carro em 2005. Apesar dessa trágica perda, a história dessa família manteve alicerces para chegar onde estão hoje.

“Antes de se envolver com a citricultura, meu pai trabalhava com caminhões. Por volta de um ano e pouco depois, ele já possuía três ou quatro veículos e estava crescendo no negócio. No entanto, ele decidiu vender tudo e se dedicar à agricultura. Comprou uma propriedade em Vera Cruz e, naquela época, formou uma sociedade com meu avô e meu tio. Foi assim que tudo começou de verdade. Nasci em 1972, e em 1974 nos mudamos de Monte Azul. A Fazenda Araguaia, de café, em Vera Cruz, durou mais dois anos, mas a sociedade chegou ao fim. Ele continuou trabalhando com café, mas hoje nos dedicamos exclusivamente aos citros, embora nem sempre tenhamos cultivado laranjas”, relata Emerson.

A tradição da citricultura perpétua na família. Mesmo com apenas os dois irmãos tocando os negócios atualmente, seus filhos já estão envolvidos e ajudando: “Mesmo sendo jovens, já estão começando a compreender os processos. É essencial que aprendam, pois no futuro serão eles a conduzir os negócios. Todos estão muito engajados, mas é importante que estejam cientes das dificuldades que nem sempre são fáceis”, continua Emerson.

Essa determinação e o engajamento nos negócios da família começam cedo, pois os dois irmãos também iniciaram sua jornada precocemente, como lembra Emerson. Ainda crianças, parecia que não faziam muito, mas, na realidade, já contribuíram bastante. Hoje, com a ajuda dos filhos, conseguem perceber o quanto foram importantes para o desenvolvimento das atividades agrícolas.

No entanto, os obstáculos surgiram com frequência ao longo da jornada da família Fachini, especialmente quando precisaram mudar de cultura: “Meu pai era muito caprichoso e produzia com excelência, mas a região não fornecia a qualidade que o café necessitava para competir no mercado. Em determinado momento, o cenário do café mudou, e meu pai precisou se adaptar”, conta Emerson.

Em busca de adaptação ao que o mercado demandava, o pai dos irmãos Fachini investiu na plantação de milho, arroz e urucum: “Naquela época, houve um boom do uso do colorante, então fomos visitar outras fazendas para pesquisar. O urucum tornou-se nosso carro-chefe por um tempo, sendo praticamente o cultivo principal, mas também tínhamos gado de leite, um pouco de tudo”, relembra Emerson.

Quanto ao início do trabalho com laranjas, Emerson relata que seu pai começou a plantá-las no início da década de 1990, por volta de 1991 ou 1992, quando ele estava iniciando sua faculdade. “Na década de 80, a laranja era uma fonte de lucro. O cultivo de laranjas era um negócio dinâmico. Meu irmão tinha uma inclinação maior para a criação de gado; ele tinha muita fé nessa área, mas, como a produção era pequena, tínhamos que nos adaptar. No final da década de 1990, as coisas começaram a mudar, e o urucum começou a perder espaço. Então, abandonamos esse cultivo e passamos a plantar laranjas. As mudas que iniciamos foram fornecidas por um primo de meu pai. Compramos as mudas e começamos a transição, deixando para trás o café, os grãos e o urucum para nos dedicarmos totalmente à laranja”, conta Emerson.

Entretanto, os problemas não cessaram quando a família iniciou o cultivo de laranjas. Em determinado momento, surgiu a CVC e tomou as plantações da região de Nhandeara, o que afetou profundamente os pomares da família em 1994. Ninguém sabia o que estava causando a doença e como combatê-la, resultando na perda de todos os pomares em 1995. Somente após cerca de seis ou sete anos foi possível descobrir o manejo adequado para combater essa doença.

Essa jornada repleta de desafios exigiu que a família Fachini buscasse forças para seguir em frente: “Nessa época, meu pai comprou outra propriedade próxima a Votuporanga e, em Palestina, SP. Lá, plantamos laranjas e pasto, e meus pais se apoiaram na fé.” As fazendas receberam nomes inspirados em suas crenças, sendo a propriedade em Nhandeara chamada de “Nossa Senhora Aparecida” e a propriedade em Palestina nomeada como “Santa Maria”. Atualmente, eles possuem somente essa última propriedade.

Emerson também relembra que sua mãe era professora, muito presente e ativa na criação dos filhos, assim como o pai: “Penso que meu pai, naquela época em que entrou na citricultura e tudo começou a dar errado, tinha uma visão interessante para os negócios. Talvez ele não tivesse a formação técnica adequada, pois tinha apenas o ensino fundamental e nunca fez um curso de gestão. Hoje em dia, fala-se muito sobre a importância disso, mas naquela época não era comum. Mesmo assim, ele buscava inovar, e nunca sequer cogitou abandonar o que tínhamos, nem ele nem minha mãe. Ter essa determinação é essencial, por mais difícil que seja. Sempre há uma solução. Passamos por uma fase de 10 anos em que investimos no café e não deu certo, depois tentamos a agricultura e também não funcionou. Só então partimos para a laranja, e quando nosso processo estava se consolidando, surgiram as adversidades com a doença. Tivemos que enfrentar acontecimentos inesperados na agricultura, como o Greening. Não podemos mudar o sistema, nem mudar o mundo, mas podemos aprender a lidar com essas dificuldades”, conclui Emerson.

Enfrentando os desafios… Não foram poucos

Emerson continua a discussão sobre os desafios enfrentados pelos citricultores, e destaca que as doenças representam um dos maiores obstáculos atualmente: “Acredito que o mais difícil é garantir que o mercado continue consumindo. Se houver demanda por laranjas, haverá recursos para pesquisas e, consequentemente, para combater as doenças, além das variabilidades climáticas, é claro.”

Nesse momento, ocorre uma pausa na entrevista, enquanto Emerson reflete sobre a trajetória da família, desde o início, quando o avô começou a caminhar, seguido pelos pais e, agora, os dois irmãos, iniciando seus filhos no mesmo caminho. Uma emoção sincera surge enquanto ele fala: “Sempre digo que, diante dos problemas que surgem, não devemos desistir. Tento transmitir isso para eles. O tempo não será gentil conosco, e o mundo não nos dirá que está tudo bem. Por isso, os jovens devem erguer a cabeça e enfrentar os obstáculos. Costumo dizer que o mundo pode não ser justo, mas você deve ser. Tente fazer justiça na medida do possível. Essa é a lição que quero aproveitar do legado do meu pai e da minha mãe, que foram fantásticos ao não desistirem. Eu nunca os vi desistindo de nada.”

“A agricultura não é fácil, mas não há nada mais gratificante do que ver uma planta produzindo. Isso é o que me motiva. Brinco que estou sempre conversando com as plantas. Tenho um amigo que sempre diz que, quando me vê, os problemas somem, que eu espanto os problemas. A verdade é que eu realmente converso com elas. Quando estou no meio das plantações, é o melhor momento do dia, não consigo explicar”, confessa Emerson, mostrando mais uma vez sua conexão íntima com a natureza e a citricultura, presente desde o início dessa jornada.

Emerson compartilha uma experiência significativa ao visitar uma fazenda com uma árvore plantada há cerca de 130 anos: “Parece uma história boba, mas para mim não é. Lá na árvore chamada Pau D’Alho, toda vez que chego lá, abraço essa árvore com as mãos, converso com ela… Saio de lá muito melhor do que quando cheguei. Quando você entende que a planta é a parte mais importante e estabelece essa conexão com a natureza, tudo se torna mais leve, não que seja fácil, mas mais manejável. Se eu só enxergar os problemas, minha vida será só problemas; se eu só enxergar soluções, estarei vivendo num mar ilusório. Portanto, eu enxergo a realidade, sabendo que existem coisas boas e ruins. E é para isso que o ser humano serve: resolver os problemas, caso contrário, nada faria sentido”, pondera Emerson, emocionando-se novamente ao refletir sobre sua trajetória e a importância da família e da natureza em sua vida.

As perdas que fizeram a família criar ainda mais raízes

Emerson continua relatando que, quando seu pai comprou a propriedade em Palestina, já havia laranjas plantadas, embora em condições desfavoráveis: “Elas não estavam em boas condições. Naquela época, uma parte era Laranja Natal e a outra, Pera Rio. Hoje, temos na propriedade Pera Rio, Valencia e Valência Americana”, destaca.

Ele revela que, durante toda a vida, a família sempre foi apaixonada por Monte Azul: “Quando compramos a propriedade em Palestina, a família se mudou para Monte Azul, porque todos nós estávamos aqui. Em 2000, no sítio, montei uma pequena estufa de laranja, e todas as mudas que temos hoje saíram dessa estufa. Depois que meus pais faleceram, começamos o processo de replantio, e assim foi… Até que em 2009, a propriedade estava 50% reformada. Foi um processo difícil, uma época complicada. Em 2019, finalmente, conseguimos reformar completamente a propriedade, e nossos filhos participaram de todo o processo, ajudando a colocar as proteções nas mudinhas. Foi uma semana de correria”, lembra emocionado.

Ao se recordar de um momento especial e derradeiro, Emerson conta que parou, pensou e falou com seu pai: “Eu disse a ele: ‘Pai, está feito, pai, você queria que fizéssemos, e está tudo feito'”.

A jornada da família Fachini, tão árdua, com dramas e muita luta, é marcada por momentos de tristeza, como quando uma tragédia abalou a estrada que eles percorriam há tanto tempo: “Em outubro, o canavial vizinho pegou fogo e queimou tudo, tudo o que tínhamos plantado foi destruído”. Mais lágrimas se misturam ao caminho da família Fachini, dessa vez, por um momento de imensa tristeza: “Queimou tudo. Eu estava chegando de viagem, e fui para o sítio, ajudei a apagar o fogo. Era tudo irrigado, mas começamos a usar mangueiras velhas e tudo o que tínhamos, mas muitos troncos foram queimados, e não conseguimos salvar nada. No dia seguinte, voltei lá com meu filho, que havia ajudado a plantar as mudas, lembro que ele estava chorando mais do que eu”, compartilha Emerson, visivelmente emocionado.

Naquele momento difícil, a força do vínculo de sangue que uniu a família Fachini à citricultura foi novamente evidente, mesmo diante de tamanha tristeza: “Eu pude sentir que o meu sofrimento era compartilhado com meu filho; perdemos tudo o que havíamos construído. Espero que isso tenha sido uma lição, e sempre digo que, não importa quão grande seja o problema, devemos tentar. Sempre há uma luz no fim do túnel. Vamos fazer de novo”, ressalta.

Após o incêndio devastador, replantar não foi possível de imediato, devido à falta de recursos financeiros. Então, eles decidiram na parte em que sobrou do sítio produzir mais para tentar se recuperar e pagar as contas, já que havia um financiamento em aberto, e o banco não esperaria. A garra, uma característica enraizada no sangue da família, levou Emerson a pensar que era preciso fazer algo: “Começamos o processo e desenvolvemos algumas técnicas. Conseguimos produzir a um preço mais interessante. Brinco que, quando a gente produz laranja, ninguém consegue produzir laranja”, diz, destacando sua determinação e senso de humor.

O não, não faz parte da vida deles

Edson, que havia permitido ao irmão conduzir a narrativa, decide falar e demonstrar que o sangue realmente é forte. Ele reconhece todas as dificuldades e momentos de sofrimento vivenciados pela família durante essa trajetória: “Em nenhum momento pensamos em desistir da agricultura. Foram momentos muito sensíveis, difíceis e delicados. Sempre gostei disso, encontrei forças através do amor e do empenho do meu pai. A agricultura significa tudo para nós, e eu passo esse valor para meus filhos”, diz com firmeza.

Emerson complementa enfatizando que no vocabulário deles não existe a palavra “desistir”: “A família é muito importante, minha esposa, as crianças. Quando eles se deitam em meu colo, parece que o mundo para. A força para se reerguer não vem de lugar algum, acho que vem de Deus. Não há receita para isso. A lembrança e o legado dos meus pais fazem toda a diferença. Eles nos criaram dessa forma… A família, a minha e a do meu irmão, são nossa base, e temos que dar exemplo, assim como nos foi dado. Se desistirmos, que exemplo estaremos dando para nossos filhos? Por isso, enquanto eu estiver vivo e falando, estarei trabalhando”, afirma com determinação.

A família é tão sagrada e esse caminho é tão poderoso que cada membro cuida do outro e da família que construíram. Edson se emociona profundamente ao dizer que sua família é tudo, e é exatamente isso que o faz perder toda a calma: “Não gosto de coisas erradas, e sempre digo para eles, os filhos do meu irmão são como filhos para mim. Então, sempre penso assim, faça comigo, mas não faça com eles. Minha família é tudo para mim”, expressa com grande afeto e proteção.

Sua esposa, Rosinei Oliveira Vieira Fachini, também participa da conversa e completa: “Realmente, há muito amor, uma família que nunca desiste um do outro. O amor entre nós está acima de tudo”. Juntos, Edson e Rosinei são pais de Vitor, de 15 anos, e Otávio, de 14, que representam a quarta geração da família Fachini, com passos firmes e bem encaminhados nessa jornada da vida.

Além deles, também fazem parte dessa quarta geração os filhos de Emerson e Rosimara Graciano Fachini, Igor, de 17 anos, e Maria Clara, de 13. Emerson sente um orgulho imenso de sua família, assim como seus pais se orgulhavam dele e de seu irmão: “Ter uma família é saber que você tem um lugar para voltar, que quando você cair, terá alguém para te levantar. Eu e meu irmão somos muito unidos. A família é tudo para mim agora, não faço mais nada para mim, só para eles. A família é o nosso porto seguro. O que tento transmitir é que nunca devemos perder nossos valores e caráter”, conclui, enfatizando a importância dos princípios que foram transmitidos a eles e que são essenciais para as gerações futuras.

Uniceres: Mais um membro da família*

Emerson conta como a Uniceres chegou até eles e passou a guiá-los: “Quando meu pai comprou a propriedade em Palestina, entramos para a Montecitrus e logo passamos a fazer parte do quadro de cooperados da Uniceres. Eu sempre acreditei muito no cooperativismo, principalmente depois que comecei a entender melhor.”

Ele destaca a importância do cooperativismo para eles atualmente: “Hoje, não fazemos cotação, é tudo pela Uniceres. Acho que cooperativismo é isso, a união de pessoas diferentes, sem querer levar vantagem. E é isso que a Uniceres fez conosco. Somos apenas um grão de areia, mas fazemos parte da cooperativa, e ela contribui muito conosco. Nos momentos mais difíceis, ela nos ajudou. Isso faz toda a diferença dentro de uma cooperativa. Eles nos apoiaram quando mais precisamos, e isso jamais pode ser esquecido”, conclui o citricultor, ao lado de sua família, lembrando do esforço de seus pais e avô nessa longa jornada, que reflete até hoje. “Com certeza, é a União que Fortalece”, finaliza Emerson, com profundo sentimento de gratidão e esperança.

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